22 de Fevereiro de 2010
Assim como na vida pessoal, comunicar com sinceridade é orientação básica também na comunicação corporativa. Seja em diálogos corriqueiros ou no gerenciamento de crises, independente de resultados de pesquisa ou de fiscalização, o agir espontâneo das pessoas e das empresas tem sido cada vez mais valorizado. E vem sendo reconhecido como o caminho da sustentabilidade da imagem positiva.
Várias são as facetas dessa sinceridade: seja em ocasiões formais ou procedimentos padrões – como nos casos de recall das indústrias automobilísticas –, seja em avaliações de desempenho com os funcionários. São situações nas quais a sinceridade se faz transparecer – ou não. Como no caso do apresentador Ray Gosling, do programa Inside Out, exibido pela rede BBC. Na edição cujo tema foi a morte, ele confessou ter cometido o crime de “suicídio assistido”, o qual ocorre quando uma pessoa que não consegue concretizar sozinha sua intenção de morrer solicita o auxílio de um outro indivíduo. Sobre o episódio, o editor do programa, Tony Rowe, disse que Gosling " conversou com tanta gente sobre suas experiências ao longo da produção do programa que achou que seria desonesto não falar da sua própria". Isso dá o que pensar!
Porém, existem dados reveladores sobre como empresas até tentam, mas não conseguem passar sinceridade na sua forma de comunicação. Segundo a pesquisa “Responsabilidade Social Empresarial – Percepção do Consumidor Brasileiro 2006-2007”, publicada pelos Institutos Akatu e Ethos, 77% dos consumidores declaram interesse em saber como as empresas tentam ser socialmente responsáveis. Corroborando, a pesquisa “Sustentabilidade: Hoje ou Amanhã?”, realizada pelo Ibope em 2007, aponta que 47% acredita que a questão ética, relacionada ao meio ambiente, não faz parte da agenda das empresas, 46% dos consumidores afirmaram que as marcas que fazem algo pela sociedade e pelo meio ambiente o fazem somente como ação de marketing. E segundo a pesquisa Market Analysis 2005 sobre Responsabilidade Social das Empresas, quando se fala da credibilidade da Comunicação, 45% dos consumidores discordam da frase: “As empresas comunicam com honestidade e veracidade o que elas fazem em matéria social e ambiental”.
Os números não são muito novos, mas ainda servem como alerta. O fato é que o público espera – e vê com bons olhos – ser tratado de forma sincera.